CAPÍTULO 3, parte 2: QUERO MINHA ESPADA DE VOLTA, IMBECIL!

Snake e a garota tocaram o chão a prudentes duzentos metros de distância da grande área aberta onde a criatura de metal aguardava ansiosamente para terminar seu serviço.
– Vamos pegá-lo de surpresa. – disse ela – Você causou um belo estrago nele, agora é hora de terminá-lo.
– Eu realmente consegui estragar a couraça dele? – ele perguntou, incrédulo – Eu não estava vendo o que estava fazendo.
– Você quase arrancou um dos braços dele e abriu um rombo no peito. Nunca vi tantas fagulhas saindo de uma daquelas coisas desde que eu enfrentei um desses há muito, muito tempo. – ela disse.
– Você conseguiu derrubá-lo?
– Não. – ela respondeu com um tom desapontado – Me pegaram antes que eu pudesse… Foi quando me trancaram naquela coisa.
– Bem, vamos lá então. – Snake disse, decidido – Eu quero aquela espada de volta e quero também retribuir a pancada que ele me deu! Ainda está doendo, sabia?
– Você foi o primeiro a continuar inteiro após receber um golpe daqueles. – a garota disse – Lembro de um sujeito que levou um golpe igual e o tronco saiu voando enquanto a cabeça, os braços e as pernas ficaram girando no ar por uns 20 segundos… Foi bem triste de ver.
– Caramba! – Snake exclamou – Bem, eu estava furioso porque achava que ele tinha te matado… Acho que foi isso que me permitiu resistir, mas agora que tudo está bem, que força me salvaria de ser feito em pedaços por ele? E agora ele tem a sua arma de volta, pra ajudar!
– Eu estou com você agora, Snake. – disse ela – Ele não vai tocar um dedo sequer em você antes que façamos picadinho dele!
Confiante, Snake nem esperou a garota terminar de falar. Saiu correndo pela rua cheia de destroços em direção à clareira entre os edifícios onde seu oponente o esperava. A garota foi logo atrás, mas Snake não olhou para trás a tempo de ver que ela corria sem tocar o chão.
Mal Snake emergiu da escuridão entre os edifícios a coisa pareceu farejá-lo. Estiveram andando em círculos pelo lugar a sua procura e parecia ter meios de enxergar bem no escuro. Seus olhos vermelhos encontraram com os de Snake e, sem a menor cerimônia, disparou outra daquelas odiosas “flechas de luz”.
– Não hoje, grandão! – a voz da garota anunciou no mesmo instante – Escudo defletor!
Como que por mágica o feixe de luz fez uma curva abrupta a uns dez metros de onde Snake e a garota estavam, explodindo num dos edifícios à esquerda, fazendo parte de sua fachada desmoronar.
– Como fez isso? – Snake perguntou – Isso é mágica pura?
– Tipo assim. – ela disse – Agora vamos atacá-lo diretamente! Ao meu sinal, corra na direção dele e não se preocupe com nada, eu te dou cobertura!
Snake não conseguia imaginar o que poderia fazer de mãos limpas, mas se aquela garota podia fazer as flechas de luz do monstro de metal fazerem curvas no ar, podia também ajudá-lo a recuperar a espada e a derrubar aquela coisa.
A distância encurtava e o monstro – agora Snake conseguia ver claramente, pois a escuridão da noite que chegava rápido demais naquela cidade em ruínas. Ele conseguia ver os rasgos que fizera com a lâmina de luz no braço e no peito da armadura, um estrago bem grande para algo que diziam ser indestrutível. Quando Snake se aproximou o bastante da criatura, ouviu a garota dizer atrás dele:
– Agora salte e agarre o braço que segura a espada! Não faça perguntas!
Snake obedeceu. O monstro percebeu o que Snake tentou fazer, acendeu a lâmina da espada e Snake viu a luz ficar mais forte enquanto o braço descia procurando por sua cabeça para cortá-la fora. Com todas as forças, Snake saltou e agarrou-se no braço do monstro, forçando com os pés no peito dele para tentar manter o braço imóvel ou ao menos o mais parado possível.
Ele não sabia quanto tempo conseguiria segurar, ficara esperando que a garota lhe dissesse o que fazer a seguir, mas não podia virar a cabeça para procurar por ela. Estava ocupado demais tentando não ser fatiado e agarrado no braço do monstro que começou a sacudi-lo para tentar se soltar.
Então a voz dela soou, mas dentro da mente de Snake como antes de ela ser solta de sua prisão.
– Quando ele soltar a espada, agarre-a e corte a cabeça dele! Você terá pouco mais de quinze segundos para fazer isso!
Antes que ele pudesse perguntar como diabos ela pretendia fazer o homem de lata soltar a espada, o corpo de metal estremeceu e Snake ouviu um som de engrenagens rangendo e metal raspando em metal e a criatura ficou imóvel.
– Como diabos? – ele exclamou, incrédulo – Será que ele cansou?
De repente a mão do gigante abriu-se e a espada caiu no chão, a lâmina apagando-se com o impacto.
Prontamente Snake soltou-se do braço do monstro e agarrou a espada.
– Diga adeus, otário! – disse ele, pressionaando o botão no cabo e expandindo a lâmina de luz, que inundou a cena com seu brilho azul-amarelado – Te vejo no inferno!
Ele deu um salto para trás, jogou o braço para trás e saltou para diante completando o movimento em arco com uma precisão milimétrica, atingindo o gigante na junção entre a cabeça e o pescoço, exatamente na parte em que a armadura tinha uma falha e uma série de mecanismos estranhos ficavam à mostra.
O corte foi perfeito. Os olhos da coisa piscaram e se apagaram e a cabeça caiu para o lado. O corpo permaneceu de pé, inerte como uma estátua.
– Você não vai precisar disso no outro mundo. – ele disse, rindo – Durma bem, bicho feio.
– Um golpe perfeito! – a garota disse, colocando a mão no ombro de Snake – E você usou só três dos quinze segundos que tinha para executá-lo!
Ele deu um pulo de susto. Não havia percebido que ela estivera ali o tempo todo.
Estivera?
Não importava. O certo é que a coisa estava “morta” agora e ele tinha uma arma ímpar eu toda Thanisya – mais maravilhosa até do que as armas mágicas que haviam à venda nos grandes mercados do Reino do Norte ou as armas dos Quatro Grandes Reis do Mundo, senhores de todas as terras e que, tecnicamente, deviam ter as armas mais poderosas e incomuns. E, além da arma, parecia que ele agora tinha uma amiga.
Um pensamento veio-lhe à mente: o que ela iria fazer agora que estava livre?
Iria com ele pelo mundo em busca de tesouros, vivendo suas aventuras loucas e despreocupadas em troca de algumas peças de ouro e artefatos raros? Ou iria seguir seu próprio caminho sozinhaa, para tentar se encontrar, depois de 500 mil anos fora de cena?
– Não se preocupe, Snake. – disse ela – Eu fiz uma promessa enquanto estava presa naquele lugar: seguiria até o inferno aquele que me salvasse e o protegeria de todo o mal mesmo que à custa da minha vida.
– Isso é sério? – exclamou Snake – Me seguir… a toda parte?
– Se você quiser, é claro.
– Bem… – ele ponderou – Eu sempre viajei sozinho.
– Não quer minha companhia então? – ela disse, desapontada.
– Não é isso. – Snake disse, tentando consertar as coisas – É que nem sequer sei o seu nome ainda.
– Ramona Lockhart. – disse ela estendendo-lhe a mão de pele clara e de aparência aveludada – Nascida em Lawrenshia, uma terra muito longe daqui, muito além dos horizontes deste mundo azul.
– Ramona… – Snake disse – Se você for capaz de entender o fato de eu não estar acostumado a ter alguém do meu lado o tempo todo, se você conseguir aguentar minhas manias e não se importar de não ter um lugar certo para morar e um destino certo para seguir, então terei imenso prazer em ter você por perto.
– Então, para onde vamos agora, Sr. Herói? – Ramona disse, rindo.
– Não sei. – ele disse, lembrando-se – Me perdi nessas ruinas e não acho que consiga lembrar onde deixei o barco que usei para chegar aqui.
– Hello-o? – chamou-lhe atenção a garota de cabelos azuis – Eu sei voar, esqueceu?

SNAKEANDRAMONAAFTER

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