CAPÍTULO 4: NÁUFRAGOS

Após alguns minutos procurando por sua mochila, Snake a achou. Por sorte não havia se aberto e tudo estava onde deveria estar. Colocou sua espada de luz lá dentro, tomando o cuidado de enrolá-la em um casaco para evitar que se danificasse ou ligasse acidentalmente em caso de uma batida ou sacudidela mais forte.
 – Está pronto? – Ramona perguntou, impaciente – Acho que seria interessante irmos embora daqui, pois não sei se há outros como aquele por aqui.
 – Sim, sim. – Snake respondeu, colocando a mochila nos ombros – Estou mais do que pronto pra ir embora desse lugar.
 – Certo. – a garota disse – Agora faremos o seguinte: segure-se nas minhas costas com toda a sua força. Vou tirar-nos daqui.
Snake segurou-se nas costas dela como se quisesse abraçá-la, da forma como ela indicou. Ela lentamente foi subindo, e Snake foi se acomodando melhor à medida em que iam ganhando velocidade e altura.
 – Você já montou em um dragão? – Ramona quis saber – Ou em alguma coisa voadora?
 – Não. – ele respondeu – Mas ouvi muitas histórias sobre cavaleiros de dragões quando era criança.
 – Sabe como eles montam? – ela indagou.
 – Sim.
 – Então acomode-se nas minhas costas do mesmo jeito. Vai ser mais fácil pra você e menos desconfortável para mim, pode ser?
 – Tudo bem. – Snake disse, mudando de posição.
Agora ele estava montado na garota como se ela fosse um cavalo, ela estava voando na horizontal, era a forma mais fácil de qualquer maneira. Segurando-se na gola do casaco dela com uma das mãos, Snake ergueu o braço para o alto e gritou “uhuu” enquanto via o mar lá embaixo e o céu estrelado lá no alto.
 – Quer parar de bancar o Cavaleiro Voador? – pediu Ramona – Preciso me concentrar para carregar nós dois.
 – Ah, certo. – Snake disse, calando-se em seguida.
Voavam em alta velocidade por sobre o mar. A cidade em ruínas já ficara para trás há muito tempo, mas não havia nem sinal de terra firme. Snake não dissera para onde deviam ir e a garota parecia simplesmente ter escolhido um rumo ao caso e estar se dirigindo para lá, onde quer que fosse.
Snake estava cansado demais. Fora um dia longo, ele dormira mal e a batalha o havia esgotado, e seu peito doía ainda por causa da pancada. Acomodando-se outra vez, aninhou-se nas costas de sua amiga e dormiu o sono dos justos, totalmente alheio ao mar e ao céu que corriam velozes por eles enquanto cruzavam o ar mais rápido do que qualquer coisa voara nos céus de Thanisya nos últimos mil ou dois mil anos.
Foi acordado por uma turbulência, ficou aturdido por um momento e quase perdeu o equilíbrio. A garota, percebendo que ele estava acordado, disse-lhe:
 – Ainda bem que você acordou. Tenho uma péssima notícia para lhe dar.
 – O que foi? – indagou Snake, sonolento.
 – Lembra que eu disse enquanto estava presa que minha energia estava quase no fim?
 – Sim? – Snake sentiu um frio na espinha com aquela pergunta.
 – Pois é. Eu tinha menos energia do que eu pensava. Estou fazendo o máximo de esforço para nos levar até alguma ilha, se é que há alguma por aqui, pois não vou conseguir voar por muito mais tempo. Creio que antes que amanheça eu já tenha esgotado totalmente meus poderes.
 – E se não encontrarmos um lugar para pousar até amanhecer? – ele quis saber, ansioso – O que acontece então?
 – Bem, meu querido. – Ramona disse, rindo – Aí cairemos como duas frutas podres no mar. E acredite, cair dessa altura na água é a mesma coisa que cair sobre rocha sólida, então não vá fazendo planos sobre para onde vai nadar quando chegar lá embaixo.
 – Então se não acharmos uma ilha, estamos ferrados?
 – Isso é bem óbvio, mas fique tranquilo. Eu tenho um ótimo faro para me localizar. Apenas segure-se firme pois pode ser que daqui para diante a viagem não seja mais tão suave.
E de fato não foi. A todo momento Ramona perdia o controle e oscilava perigosamente, perdia e ganhava altitude, era como se ela estivesse lutando contra seus próprios limites para sustentar a ambos no ar. Se não achassem uma ilha ou qualquer lugar para pousar até amanhecer, estaria acabado.
Mas ao menos voara agarrado às costas de uma garota bonita, enfrentara e vencera um inimigo poderoso e visitara a Cidade Proibida sem enlouquecer ou morrer. Se é que aquilo tudo não era um delírio seu, mas não parecia ser…
Nenhum dos dois disse palavra alguma nas horas seguintes. Mudaram de rumo algumas vezes, Ramona parecia saber para onde estava indo, mas ele não tinha tanta certeza, pois se o mundo mudara em 500 mil anos, provavelmente as terras se moveram, sumiram ou apareceram onde não estavam antes.
 – Lá! – disse Ramona, de repente, quando a primeira claridade começava a surgir no horizonte – Uma ilha! Segure-se, pois vou acelerar ao máximo para chegarmos depressa!
E foi o que Snake fez, meio grogue, pois havia cochilado intermitentemente durante as horas em que estiveram voando, acordado a cada sacudida e turbulência, e agora não sabia divisar se estava dormindo ou acordado, mas conseguia ver ao longe uma pequena ilha com um vulcão no meio, soltando um pequeno fio de fumaça esbranquiçada.
Segurou-se com mais força e a garota empreendeu um esforço supremo para aumentar a velocidade. A ilha pareceu crescer pouco a pouco, mas a água e as ondas corriam velozmente por baixo deles numa velocidade impressionante. O vento assobiava nos ouvidos de Snake e ele agora começava a sentir uma certa insegurança sobre como seria o pouso depois daquela velocidade toda.
Quando faltavam menos de dois quilômetros, Ramona diminuiu a altitude do vôo e agora moviam-se a menos de cinco metros acima da água. O deslocamento de ar provocado pela sua passagem erguia uma coluna de água atrás deles que marcava seu rastro nas ondas, desenhando reflexos dourados e prateados no sol que começava a nascer.
 – Não aguento mais! – gritou Ramona – Salte agora!
Snake, sem pestanejar, soltou-se das costas dela e, na velocidade em que estava, mergulhou em ângulo aberto na água, mas não sem antes ricochetear três vezes dolorosamente em sua superfície como se fosse sólida.
A água estava gelada e Snake se sentia tonto e tinha certeza de que havia quebrado alguns ossos, mas não deu importância. Estava vivo, no meio do mar, e podia ver ao longe a ilha, que agora parecia muito mais próxima. A que distância, porém, ele não sentia-se em condições de estimar.
Olhou em volta em busca de Ramona, mas não a encontrou nem no ar e nem no mar. Onde diabos ela estava?
Será que não sabia nadar?
Droga! Snake sentiu que a havia perdido de novo. Será que ele era tão inseguro a ponto de sentir o peso da perda antes de haver evidências disso? Não, é que realmente ela havia sumido, evaporado no ar – e aquilo não era normal. Ela devia ter caído na água adiante, mas não conseguia vê-la. As ondas eram mais altas do que seu campo de visão, não podia ver longe na superfície e isso atrapalhava tudo.
 – Ramona! – gritou ele – Onde você está?
Nenhuuma resposta. Tentou fazer mentalmente o contato, mas tudo que ouviu foi o eco de seus próprios pensamentos.
Decidiu então nadar para a costa. Ela faria o mesmo, é certo. Se soubesse nadar. Ah, óbvio que sabia, pensou ele, se sabia voar, nadar seria certamente o de menos. Sem pensar em mais nada, começou a dar braçadas em direção ao oeste, com o sol aos poucos levantando-se atrás dele e azulando o céu, apagando as últimas estrelas e iniciando um novo dia.
Depois de meia hora dando braçadas, percebeu Snake que a ilha não ficara muito mais próxima e que ele estava cansado demais para continuar nadando. Se ao menos tivesse algum pergaminho mágico útil em sua mochila…
Fazendo um esforço para manter-se boiando enquanto tirava a mochila, Snake abriu-a acima da água – era impermeável – e, com uma das mãos vasculhou seu interior e constatou que haviam quatro pergaminhos mágicos dentro – dois eram os “Não Perturbe” e os outros dois ele não lembrava o que eram. Então ele tocou no rolo de pano onde estava sua espada e teve uma intuição. Poderia dar certo – se aquela coisa funcionasse na água, o que era de se admirar.
Desvencilhando-se da mochila, que revelava-se agora um tanto quanto inútil com seus pergaminhos e roupas, ficou apenas com a espada e deixou a bolsa boiar para longe.
Segurando-a acima da água, pressionou o botão e a lâmina saltou viva e forte como sempre. Agora era hora de testar. De onde vinha aquela intuição ele não sabia, mas se fosse boa estaria mais do que salvo. Quanto a Ramona, esperava sinceramente que ela tivesse tido algum tipo de intuição semelhante e também tivesse solucionado a questão de nadar até a costa. Decidiu não pensar nela naquele momento, tinha algo mais a fazer.
Movendo as pernas sob a água, virou-se de frente para o sol nascente e de costas para a ilha. Apontando a espada de luz para a luz do nascente, mergulhou-a na água. O efeito foi imediato. O calor da lâmina luminosa aqueceu a água rapidamente, criando uma explosão de vapor que o impulsionou para trás, exatamente como ele esperava. Mantendo a lâmina na mesma posição, ele percebeu que conseguia uma aceleração absurda daquela forma. A água evaporava abruptamente e empurrava a água mais fria ao redor para todos os lados. E ele era levado junto. Direto para a ilha.
Voltando a cabeça para trás, viu que agora movia-se quase tão rápido quanto Ramona se moveria voando em velocidade normal, e a ilha ia crescendo e crescendo, a medida em que se aproximava.
 – Incrível! – Starshyne exclamou – Quem diria que essa espada teria mais utilidades além de destruir coisas?
Em menos de cinco minutos ele cruzou a rebentação, sinal de que estava finalmente na praia. Desligou a espada e virou o corpo para ver a ilha onde agora havia finalmente chegado.
Ainda haviam cerca de cinquenta metros o separando da areia branca da praia. Era uma ilha belíssima, de árvores viçosas e com um grande vulcão. Não parecia ser habitada e tudo que era possível ver eram as aves marinhas indo de lá para cá a procura de comida, soltando seus tradicionais gritos.
Assim que colocou os pés em terra firme, Snake atirou-se na areia e dormiu um sono profundo, muito profundo, um sono de sonhos estranhos entremeados pelo rosto de Ramona e flashbacks dos momentos em que estiveram juntos. E pareceu uma eternidade o tempo que passou dormindo na praia, aquecido pelos raios do sol que logo secaram suas roupas e tornaram o sono mais confortável e revigorante.
Do meio de um sonho, uma voz familiar o chamou ao mundo real. A voz chamava seu nome. Era a voz de Ramona.
 – Acorda, Snake, é hora do almoço!
Quando ele abriu os olhos, viu o rosto da jovem tapando o sol do meio-dia e não pôde deixar de sorrir aliviado ao vê-la sã e salva – e seca! – em sua frente.
 – Você conseguiu chegar também… estou aliviado!
 – É óbvio que eu consegui chegar! Sem seu peso eu consegui voar até a costa e tudo que fiz foi esperar que chegasse. E você chegou tão exausto que nem me viu encostada naquela palmeira te esperando.
 – Então você viu como eu cheguei aqui. – Snake disse, levantando-se e juntando sua espada que estava caída a seu lado – Quem diria que essa coisa serviria como meio de transporte, afinal de contas!
 – Você estava tão compenetrado em se perguntar se eu estava morta no fundo do mar ou voando por aí que nem se deu conta de que eu sussurrei em seus pensamentos para usar a espada para dar impulso, não é?
 – Foi você? – ele pareceu surpreso.
 – Claro que sim! – Ramona disse, rindo – Quem mais teria boas idéias dentro dessa sua cabeça oca?
Se outra pessoa tivesse dito isso a Snake, certamente ele consideraria a maior das ofensas, mas vindo de Ramona, que estivera dentro de sua mente, não parecia tão mau e ele sabia que de certo modo era verdade. Ele não era lá muito esperto, sabia se virar mas não era um gênio. Ela, porém, sempre sabia a resposta para tudo, sempre tinha uma carta na manga ou uma estratégia para sair de uma situação difícil. Ele mal a conhecia e achava que sabia tudo sobre ela. Era como se sempre houvesse estado ao lado dela, como se houvesse encontrado sua metade que faltava… Ah, não, Snake disse a si mesmo, devia afastar de sua mente esses pensamentos! O amor, ainda mais a primeira vista, era a ruína dos aventureiros, todos diziam isso e ele sabia que era verdade. Já vira mais de um veterano de aventuras se acomodando em uma casa e vivendo uma vida sem graça e sem realizações por causa do amor. Não queria isso para si. Queria o mundo, queria os quatro horizontes como os limites de seu quintal e garota alguma iria tirar isso dele. Mas Ramona era incrível, e isso ele não podia negar.
– Como estão seus poderes? – Snake quis saber.
 – Zero. – ela respondeu – Não consigo fazer nem truques com cartas agora. Preciso de uma fonte de energia para poder recarregar, senão serei tão normal e comum quanto você sem sua espada e sem sua falta de bom senso.
 – Que tipo de fonte de energia? – Snake indagou, curioso.
 – Não sei se existe alguma do tipo que eu necessito. Não depois de 500.000 anos!
  – Que tipo de fonte?
 – Já ouviu falar de Cristais de Mana?
 – Que é isso? – Snake arregalou os olhos – É de comer?
 – Não. – ela respondeu, pacientemente – É um tipo de cristal que acumula energia mágica e que brota das entranhas do planeta, usávamos para recarregar nossos poderes. Eles eram escavados aqui em Thanisya no meu tempo e não havia mago que não tivesse pelo menos um desses de reserva.
 – Como são esses cristais? – ele perguntou – Já vi cristais de todos os tipos, já andei em cavernas algumas vezes. Pode ser que eu conheça isso;
 – São como cristais de quartzo na forma, mas emitem luz azul e são mornos ao toque. – Ramona explicou – Já viu algum?
Snake pensou um pouco. Sim, já havia visto alguns desses. Tanto em cavernas como em coleções de minerais em algumas academias de ciências mágicas, mas não sabia que podiam ser usados para recarregar energia.
 – Sim, sim. – Snake disse – São até bem comuns. Mas são apenas usados como itens decorativos e para fazer jóias.
 – Os magos dessa época não conhecem as propriedades desses cristais? – Ramona disse, surpresa – E como a magia pode subsistir sem Cristais de Mana?
 – Os magos recuperam suas energias consumindo poções. – Snake disse – Lojas de poções existem por toda parte. Pode ser que isso resolva seu problema.
 – Não, Snake, não resolve. – Ramona disse – Eu esgotei minha energia mágica além do limite do que uma poção pode curar, pois passei 500 mil anos sustentando um encantamento de animação suspensa e o que sobrou gastei trazendo a gente até aqui. Não sobrou nada. Poções só funcionam quando a energia mágica não é totalmente gasta, o que provavelmente jamais ocorreu com algum mago dessa época.
 – Já ocorreu sim! – Snake disse – Conheci um mago que perdeu os poderes permanentemente depois de voltar de uma viagem. Parece que ele enfrentou um dragão nas montanhas, no Reino do Oeste e a luta foi demais para ele.
 – Pois é. – Ramona disse – Se ele conhecesse a utilidade desses cristais, recuperaria sua capacidade mágica num piscar de olhos!
 – Então precisamos achar um cristal desses para que possamos sair dessa ilha! – Snake exclamou.
Ramona sorriu.
 – Sim, Snake, certamente há. Cristais de Mana são muito comuns onde há vulcões e geralmente é onde encontramos os maiores e mais fortes. Só tem um problema…
 – Qual? – Snake indagou (ele odiava “poréns”).
 – Teremos que entrar na cratera do vulcão e descer até achar os cristais, se houver algum!
 – Moleza! – Snake exclamou – Mas não agora, estou faminto demais para uma escalada.
 – Sabia que você mencionaria comida. – Ramona disse, rindo – Achei alguns Cubos de Alimento num dos bolsos. Coisa do meu tempo. Duas gotas de água em cada um e eles se transformam em comida da melhor qualidade!
 – E eles durariam 500 mil anos sem apodrecer?
 – Eu apodreci? – Ramona disse, fingindo sentir-se insultada – Óbvio que não, eles foram conservados junto comigo pelo mesmo encantamento que me sustentou desde aquele tempo até agora!
 – Então vamos ver esses tais Cubos de Alimento.
Ramona tirou quatro cubos amarelos do bolso e os estendeu para Snake. Ele os pegou e examinou cuidadosamente. Eram perfeitamente regulares, mas não pareciam feitos de nenhum material que ele conhecesse. Olhando para o mar, ele falou:
 – Se é de água que precisamos, aí tem um monte.
 – Só se quiser que a comida fique salgada como lágrimas de viúva. – Ramona disse, rindo – Precisamos de água doce para que dê certo. Vamos! Tem uma nascente aqui perto que achei enquanto você dormia.
E ela pôs-se a andar para dentro da mata de palmeoiras.
Snake a seguiu por alguns minutos. Não demorou até ouvir um marulhar de água correndo.
Era um olho d’água que brotava de uma rocha sombreada, e ao se aproximar, Snake viu que era água pura e cristalina.
Com sede, encheu as mãos em concha com a água fria da fonte e bebeu avidamente até saciar-se.
 – Eu precisava disso! – exclamou, feliz – A última coisa que bebi foi uma cerveja antes de deixar a costa e ir para a Cidade Proibida.
 – Tanto tempo assim? – Ramona indagou, julgando que ele havia percorrido uma grande distância para chegar às ruínas – Como sobreviveu?
 – Foram só quatro horas de barco. – Snake disse.
 – Você está dizendo que havia terra firme a quatro horas de barco da cidade e me fez voar a noite toda em mar aberto? – ela disse, indignada.
 – Você não me perguntou para onde ir. Quando me dei conta de que você não sabia para onde estava indo já estávamos longe demais para valer a pena dar meia-volta.
 – Tem razão. – disse ela – Eu devia ter te perguntado para onde devíamos ir, mas não o fiz. Erro meu, desculpa.
 – Tudo bem, erramos os dois. – Snake disse – Agora vamos comer porque estou faminto!
E colocaram os cubos amarelos sobre uma pedra limpa e pingaram algumas gotas de água em cima de cada um deles. Não demorou até que a mágica daquelas engenhocas trabalhasse e logo havia diante dos olhos extasiados de Snake uma refeição completa com carnes, frutas e até mesmo uma garrafa de vinho!
 – Isso é incrível! – Snake comentou – Nunca vi nada parecido com isso. Sempre soube que mágica não era capaz de criar comida.
 – E não é. – Ramona disse – Mas pode conservá-la e fazê-la adotar outras formas. Esses Cubos eram bem populares antigamente, mas pelo que parece o conhecimento de como fazê-los se perdeu.
 – É uma pena. – Snake comentou atacando um suculento pedaço de carne – Viria bem a calhar em viagens longas.
 – Pois é. – Ramona concordou – Não duvido que em algum lugar fora de Thanisya ainda existam, mas aqui acho improvável.
 – Fora de Thanisya? – Snake quase engasgou – Você quer dizer… no céu? Além das estrelas?
 – Não exatamente além das estrelas, mas em meio a elas. – a garota respondeu de boca cheia – Mas pensemos nisso outra hora, vamos comer e depois planejar nossa expedição ao vulcão.
 – Por mim está bem assim. – ele falou, dando um gole no vinho (que era o vinho mais saboroso que já havia provado) – De barriga cheia eu topo qualquer parada!
 – Mesmo se arriscar a tomar um banho de lava fumegante? – Ramona disse, rindo de verdade – Ou ter a chance de morrer esmagado por uma avalanche de pedras quentes? Ou cozinhar em fogo alto na caldeira de um vulcão ativo?
 – Parece um bom roteiro de férias. – o caçador de tesouros disse, fazendo gozação com a situação – Pode ser divertido até. Mas agora vamos conversar menos e comer mais, que tal?
Ramona não disse nada e encheu a boca com uma fruta grande e suculenta que Snake nunca havia visto. E comeram em silêncio, trocando olhares e sorrisos. Iria ser um longo dia, mas todos os dias de Snake eram longos, então, bem, não faria diferença.

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