CAPÍTULO 5 (parte 1): A CAPITàPIRATA

Image – Bem. – disse Ramona após terminarem a refeição – Partiremos assim que você estiver pronto.
Snake sentia-se cheio. Fazia tempo que não comia tão bem e aquilo o deixara pesado e sonolento, mas não podia demonstrar fraqueza diante da garota. Era contra seus princípios de aventureiro deixar claro que não estava pronto, então resolveu ganhar tempo:
– Que acha de voltarmos à praia? Quero ver se por acaso minha mochila foi trazida pela maré.
– Você perdeu sua mochila de novo? – Ramona indagou.
– Na verdade eu a joguei fora enquanto estava no mar. Achei que era só peso extra, mas agora estou sentindo falta dela.
Ramona suspirou e abanou a cabeça desanimada.
– Tudo bem, vamos.
E eles tornaram à praia, saindo de sob a sombra das palmeiras. Snake ia na frente, olhando para todos os lados como se procurasse realmente sua mochila, apesar de saber que ela certamente não teria sido jogada à praia pelas ondas do mar, pois a maré estava baixando quando chegaram e a maré alta demoraria até a noite para acontecer, mas precisava fazer a digestão antes de seguir para a agradável jornada de escalada até o vulcão.
Estava andando já há alguns minutos, olhando para o mar e para o chão quando de repente sentiram uma presença. Uma presença daquelas que se sente de longe, nem boa e nem má, apenas um indício de que havia alguém lá. Continuaram andando mais alguns momentos até que uma voz feminina os interrompeu:
– Vão a algum lugar?
Era uma mulher de seus vinte e cinco, trinta anos, vestindo preto, com cabelos pretos e brancos – Snake duvidava que aquilo fosse natural -, que os encarava de pé, plantada na areia como uma árvore. Sua expressão era impassível como pedra e ela não parecia feliz em vê-los ali.
– Quem são vocês e o que querem nessa ilha? – ela perguntou, demonstrando que queria urgentemente uma resposta e fazia questão de que fosse satisfatória.
– Sou Snake, de Ontherocks, no Reino do Oeste, caçador de tesouros, e esta… – e já ia apresentar Ramona quando ela o interrompeu:
– Ramona Lockhart, de Lawrenshia, arquimaga honorária da Escola dos Sete Elementos. E você, quem é?
A mulher parou por um momento como que refletindo sobre o que lhes haviam dito e logo falou:
– Ontherocks eu sei onde fica… é um vilarejo no meio do nada e que dá para contar as casas nos dedos, se bem sei. Conheço sua reputação de saqueador de tumbas, senhor Snake. Mas Lawrenshia eu nunca ouvi falar e nem essa tal Escola dos Sete Elementoss. Até porque sempre achei que os elementos da magia fossem seis.
– Fica muito longe. – Ramona tentou consertar – Você provavelmente nunca ouviu falar. Quase ninguém conhece.
– Eu imagino. – a mulher respondeu, sarcástica – Bem, não importa. O que estão fazendo aqui?
– Estamos perdidos. – disse Snake – Somos náufragos, fomos jogados aqui e agora estamos em busca de um meio de dar o fora.
– Que ótimo! – a mulher disse – Eu tenho um barco ancorado numa baía a duas horas de caminhada daqui. Se quiserem partir, posso levá-los até o porto comercial mais próximo. Parto ao anoitecer.
– Bem, acho que não estaremos de volta até o anoitecer. – Snake disse – Temos que procurar uma coisa aqui antes…
– Ah, então o Senhor Caça-Tesouros veio aqui com mais alguma coisa em mente? – ela disse, rindo – Sabia que não estava perdido, estava procurando algo valioso para roubar e vender!
– Na verdade, não. – disse Ramona, apelando para a verdade – O que estamos procurando são cristais azuis de um tipo bem especial que podemos talvez encontrar dentro daquele vulcão.- e apontou para a montanha fumegante -Vamos ir até lá para ver se encontramos algum.
– Cristais, huh? – a mulher parecia agora verdadeiramente curiosa – E quanto valeriam esses cristais? Dez mil moedas de ouro? Cem mil?
– Cinco moedas de prata, no máximo. – Snake disse – Já vi alguns por aí e eles não valem grande coisa pois não têm serventia alguma.
– E por que vocês iriam querer entrar na cratera de um vulcão por míseras cinco moedas de prata?
– É porque para mim um desses cristais seria valioso. – Ramona respondeu – Preciso disso para fazer um encantamento de suma importância.
A mulher ponderou por um momento. Parecia interessante demais para deixá-los ir sozinhos, então ela propôs:
– Posso ir com vocês? Isto é… se quiserem companhia.
– Claro! – responderam Snake e Ramona ao mesmo tempo (ambos perceberam que para uma missão com tamanho risco, ainda mais sem os poderes mágicos da garota, qualquer ajuda mesmo que de uma desconhecida poderia ser valiosa).
– Deixem-me apresentar. – a mulher falou – Sou Zelda Lorraine Eckhart, capitã do navio pirata Dragão dos Mares.
– Muito prazer. – Snake disse, sorrindo.
– Com prazer é sempre mais caro. – respondeu Zelda, rindo – Vamos partir agora mesmo, se quisermos estar de volta ainda hoje.
– Por mim está ótimo. – Ramona concordou – E, Snake, pare de ser tão gentil com ela, pois eu fico com ciúmes.
– Não precisa ter ciúmes, docinho. – a capitã pirata falou, sorrindo amigavelmente – Não gosto de homens.
Snake e Ramona se entreolharam, mas a senhora Lorraine completou:
– Nem de mulheres. Eu só gosto do mar, pois ele é o único que me entende.
– Ah, bom! – exclamaram os dois em tom de alívio.
– Vamos. – Zelda urgiu, já embrenhando-se no bosque como se soubesse o caminho – A escalada vai ser difícil.
– E você não vai levar equipaamento? – Snake perguntou.
– E você vai? Não vejo nenhuma mochila em suas costas, o que nos põe em situação de empate. – Zelda respondeu, encerrando a questão. Ramona não conseguiu conter uma risadinha.

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